Maricá/RJ,

Mais de 18.000 ilhas !

Francisco Gomes de Amorim

Ainda há poucos anos o mundo inteiro (?) reclamava, zangado com a Indonésia, por causa de Timor! A maioria das pessoas talvez não saiba que a Indonésia só conseguiu livrar-se da Holanda, de que era colônia, depois de 2ª Grande Guerra, e assim mesmo contra a vontade dos EUA que queriam ajudar os holandeses a manter aquela situação, e só se tornou independente depois de 4 anos de luta!
Poucos tempo depois, vergonhosamente, Portugal abandonou Timor Leste (assim como todos os outros povos das suas colônias) e “ofereceu” este território ao sr. Suharto que, pela lógica geográfica, e com o apoio do mundo inteiro, o incluiu na sua nação.
Levou tempo, e foi necessário surgir o petróleo nas suas águas, para que os timorenses, depois também de muita luta, e muito sangue vertido, alcançassem a sua independência.
É complicado aquele país, a Indonésia, com mais de 18.000 ilhas e quase seiscentas línguas e dialetos, além de diversas variações dentro destes, quando se anda de uma ilha para a outra. O que diferenciava os timorenses do leste das restantes milhares de ilhas (e mais “meia”, Timor Oeste!) foi a “quase” unidade e especificidade da sua língua, o tetum.
As línguas na Indonésia têm origens imensas: malaio, sânscrito, árabe, chinês, além das influências do holandês e inglês, e muito do português que, durante três séculos foi o idioma “oficial” do comércio no país das especiarias.
Os tipos humanos também variam, com ilhas onde os indivíduos têm a pele clara, mais ou menos influenciados por feições orientais, a outras com ela muito escura, cabelo crespo e liso, além de todos os tipos intermédios.
No Bali, onde o islamismo não entrou (e daí ter sofrido aqueles criminosos atentados à bomba) o hinduismo mantém-se com grande atividade e respeito, e o sânscrito é estudado e seguido para melhor continuarem a compreender essa tão antiga religião.
No meio de tamanha confusão num país que tem dezenas de milhares de quilômetros de costa e fronteiras, o governo ainda procura identificar e dar nome a todas as ilhas! Região vulcânica, é habitual ver desaparecer uma ou outra ilha e mais adiante surgirem novas! Algumas houve que se dividiram, com os movimentos tectônicos!
Se os satélites já têm capacidade suficiente para localizar até uma moeda perdida no deserto, é fundamental que a seguir, cada ilha, por menor que seja, tenha o seu nome nas cartas, para poder ser identificada.
Com esta finalidade o governo mantém uma equipa de geógrafos que procuram não só corrigir, mas identificar cada uma das mais pequeninas ilhas, algumas que não passam de minúsculas rochas emergentes.
Uma das que não tinha identificação nas cartas geográficas, lá bem nos confins do leste da Indonésia, era, e é, conhecida pelos habitantes vizinhos como Ilha Mutu. Até aqui nada demais. Mas essa gente explicou aos geógrafos o que significava Mutu: Homem!
Qual o espanto? É que “mutu” com este significado é, sem dúvida, de origem africana, sendo “tu” = homem, com o prefixo “mu” = singular! Já meio mundo deve ter ouvido a palavra “ban-tu” quando o prefixo “ban” indica o plural, e daí “gente”!
Há quantos anos chegou esta palavra à Indonésia, e ainda por cima lá ao extremo leste, o mais afastado de África? Quem a levou para ali? Que outras palavras de origem africana, vamos dizer “bantu”, para facilitar, por lá existirão? Trabalho interessante para um filólogo pesquisar!
Será que a vovózinha Lucy tem alguma coisa a ver com isso?

Francisco Gomes de Amorim

Francisco Gomes de Amorim - Engenheiro, Escritor, Humanista, Pintor. Viveu por mais de 20 anos em Angola. Atualmente reside no Rio de Janeiro.

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