Maricá/RJ,

Editorial

Setembro de 2008
Editorial






Desde que o italiano Domenico de Masi criou a teoria do ócio criativo revolucionou o pensamento de pessoas, rotinas de empresas e, até, leis em alguns países.
O objetivo de vários estudos surgidos a partir daí, é limitar a jornada de trabalho semanal e diversas são as formas e as motivações.
O fato é que há uma tendência de valorização do tempo livre, ainda que haja uma concorrência entre várias áreas, para a ocupação desse tempo: esportes, viagens, vida ao ar livre, atividades culturais, estudos, etc.
Como produtores culturais, cabe-nos envolver as pessoas e mostrar que, de nada adianta ter tempo livre, se não houver vontade de usar, pelo menos parte desse tempo, em alguma atividade da esfera cultural.
Ainda existem as desculpas de “falta de tempo” e de “alto custo das atividades culturais”, mas basta um rápido passeio pelas páginas dos jornais e revistas e encontramos ofertas de espetáculos a preços populares, em horários alternativos e gratuitos e diversos eventos culturais para os quais não há, na praxe, qualquer cobrança de ingresso. Paralelamente a isso, surgem as justificativas das pessoas do alto dispêndio de tempo para o deslocamento entre suas residências e os centros culturais, por conta da baixa oferta de transportes que dificulta a locomoção – principalmente de crianças e idosos - e a grande insegurança, hoje, nos centros urbanos.
Entretanto, vários estudos internacionais comprovam a premissa de que, crianças expostas a atividades de socialização com a cultura estarão mais predispostas a repetir tais atividades quando adultas.
Estes assuntos vêm merecendo teorias e teorias, páginas e páginas, mas sabe-se que é fundamental a conjugação de cultura e educação; são fundamentais alguns posicionamentos e esforços radicais, dos governantes, da iniciativa privada, da população em geral, e até mesmo, das mídias locais, disseminando propostas, divulgando eventos e resultados, conclamando e motivando um público interessado.
A par de todas as discussões, mesmo para a mais desenvolvidas das sociedades, a arte é e continuará sendo sempre necessária. Uma de suas funções “é colocar o homem em estado de equilíbrio” (Fischer,1971, p.11); expressar uma relação mais profunda entre o homem e o mundo; levar o homem a libertar-se, na arte e pela arte, do esmagamento provocado pelo cotidiano.
É fundamental, pois, mostrar que a cultura envolve, permeia e enriquece os dias.
E por isso, prosseguimos.

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