Maricá/RJ,

Faltam professores qualificados em cultura afro-brasileira, diz especialista



Lei determina o ensino da cultura afro em escolas públicas e particulares.
UFSCar oferece cursos em educação para as relações etnicorraciais. 

Do G1 São Carlos e Araraquara 

O ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio, particulares e públicas, é previsto em lei desde 2003. As aulas ajudam a ampliar a tolerância e o respeito, além de melhorar a convivência entre as crianças. Apesar da obrigatoriedade, a coordenadora do Centro de Cultura Afro de Araraquara (SP), Alessandra Laurindo, diz que ainda faltam professores capacitados. “A grande maioria ainda não tem conhecimento sobre o tema para poder passar para os alunos”, afirmou. 

O estudante Domini Laurindo Alto, de 9 anos, foi vítima de preconceito antes de mudar para uma escola que oferece o ensino da cultura afro. “Falavam que eu era negrinho e me chamavam de macaco. Agora ninguém me maltrata, ninguém me xinga”, contou.

Professora de Araraquara leva livros de 
cultura afro à sala de aula. (Foto: Paulo Chiari/EPTV)


Desde o ano passado, a professora Maria Fernanda Luiz leva livros e atividades temáticas para a sala de aula. “Alunos que tinham postura discriminatória e, até um ponto, racistas, mudaram e atualmente questionam atitudes assim que eles veem”, disse a Maria Fernanda. 

Em meio a brincadeiras, as crianças aprendem uma lição importante. “Todo mundo é humano, só as características é que são diferentes”, afirmou o estudante Otávio Monteiro, de 9 anos.

Região
A Secretaria de Educação de São Carlos informou que desenvolve várias atividades sobre a cultura afro nas escolas municipais. O projeto mais recente, chamado “Caixa de Africanidades”, consiste em seis baús com instrumentos musicais, livros e outros elementos da cultura africana, que vão percorrer as escolas durante este ano.

Em Rio Claro, a Prefeitura informou que a lei está sendo aplicada na rede municipal desde o ano passado e que o tema é abordado em várias matérias. Ainda de acordo com a Prefeitura, os professores estão sendo preparados desde 2012.

Qualificação
O Núcleo de Estudos Afrobrasileiro (Neab), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), oferece em parceira com a Universidade Aberta do Brasil (UAB) o curso de especialização em Educação para as Relações Etnicorraciais, voltado para professores da rede pública municipal ou estadual. As aulas são ministradas a distância, com provas presenciais em polos de apoios em 13 municípios. O curso tem duração de dois anos. 

“No dia 15 de junho formaremos a primeira turma do curso de especialização. São mais de 400 professores da rede municipal de ensino do Estado. Além disso, o Neab está realizando um curso de formação de mais de três mil professores da região”, explicou Thais Fernanda Leite Madeira, coordenadora adjunta dos cursos. 
Há 10 anos, lei prevê o ensino da história e da cultura
 afro-brasileira nas escolas (Foto: Paulo Chiari/EPTV)


Mais informações podem ser obtidas no site do Núcleo de Estudos Afrobrasileiro.

Fonte: http://g1.globo.com

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