Maricá/RJ,

SP: ordem da PM é abordar “negros e pardos”


Redação Correio Nagô* - Policiais militares do bairro Taquaral, considerado um dos mais nobres de Campinas (SP) receberam, desde o dia 21 de dezembro do ano passado, a ordem de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. 

De acordo com reportagem do Diário de SP publicada no Portal Terra, a orientação teria sido dada pelo oficial que chefia a companhia responsável pela região. No entanto, o Comando da PM teria negado o teor racista na determinação. 

“O documento assinado pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci orienta a tropa a agir com rigor, caso se depare com jovens de 18 a 25 anos, que estejam em grupos de três a cinco pessoas e tenham a pele escura. Essas seriam as características de um suposto grupo que comete assaltos a residências no bairro”, destaca a reportagem. 

Ainda segundo a reportagem, a ordem do oficial teria sido motivada por uma carta de dois moradores. Um deles foi vítima de um roubo e descreveu os criminosos dessa maneira. Nenhum deles, entretanto, foi identificado pela Polícia Militar para que as abordagens fossem direcionadas nesse sentido. 

O frei Galvão, da Educafro, ouvido pela reportagem, ressaltou que a ordem de serviço dá a entender que, caso os policiais cruzem com um grupo de brancos, não há perigo. Na manhã desta quarta-feira (23), ele enviaria um pedido de explicações ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário da Segurança Pública, Fernando Grella. 

O diário solicitou entrevista com o capitão Beneducci, sem sucesso. A reportagem também pediu outro ofício semelhante, em que o alvo das abordagens fosse um grupo de jovens brancos, mas não obteve resposta. 

Confira a íntegra da nota de esclarecimento que teria sido enviada pelo Comando da Polícia Militar e publicada pela reportagem: 

A Polícia Militar lamenta que um grupo historicamente discriminado pela sociedade, que são os negros, seja usado para fazer sensacionalismo. 

O caso concreto trata de ordem escrita de uma autoridade policial militar, atendendo aos pedidos da comunidade local, no sentido de reforçar o policiamento com vistas a um grupo de criminosos, com características específicas, que por acaso era formado por negros e pardos. A ordem é clara quanto à referência a esse grupo: “focando abordagens a transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra com idade aparentemente de 18 a 25 anos, os quais sempre estão em grupo de 3 a 5 indivíduos na prática de roubo a residência naquela localidade”. 

A ordem descreve ainda os locais (quatro ruas) e horário em que os crimes ocorrem. Logo, não há o que se falar em discriminação ou em atitude racista, tendo o capitão responsável emitido a ordem com base em indicadores concretos e reais. Discriminação e racismo é o fato de explorar essa situação de maneira irresponsável e fora de contextualização.

*Com informações do Diário de SP publicado no Portal Terra
Fonte: http://correionago.ning.com

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